ACONTECEU EM MIL NOVECENTOS E NOVENTA E DOIS
Mil novecentos e noventa e dois, meio dia e quarenta e cinco minutos , correndo pra conseguir chegar ao “ Américo” ( E.E.P.S.G Américo Alves ) escola que estudava em Aparecida, tinha que chegar logo ou perderia a primeira aula; já no portão da escola parei para cumprimentar alguns amigos que ainda estavam do lado de fora, foi quando vi um garoto se aproximando de mim perguntando se eu que era o Raul.
Ele se apresentou como Mauricio disse que tinha feito uma musica para tocar num Festival da FEG e perguntou se eu não toparia tocar com ele; perguntei quem mais tocaria na banda, e ele disse que ainda não tinha falado com mais ninguém, nisso chega o Marquinho que estudava na minha sala e tocava bateria, falei pra ele sobre o Festival e ele topou na hora.
Só havia um problema, o festival ocorreria nessa mesma noite e nós nunca tínhamos tocado juntos, não conhecíamos a musica e nem sequer éramos bons instrumentistas; mas isso é apenas um detalhe quando se tem quinze anos de idade e o Rock ‘n roll é como espinhas querendo explodir de seu corpo pra fora.
A aula de Matemática ou sei lá que matéria estava sendo dada naquele dia já tinha ficado pra depois, o que importava é que faríamos nosso primeiro show e seriamos ricos e famosos naquela noite.
Fomos pra casa do Marquinho para ensaiar a musica de quatro notas, uma pra mim dificílima “ Fá Maior” as outras eram Ré menor, Dó e Sol já íntimas dos meus dedilhados, tocamos a tarde toda, Mauricio no vocal e na guitarra, Marquinho na bateria e eu na guitarra solo, detalhe que a musica não havia solo.
O pai do Marquinho tocava numa banda e tinha vários instrumentos em sua casa, menos a maldita bateria, então tocávamos numa bateria improvisada, tambores velhos, pratos trincados pendurados com arame ou cordas de varal e um bumbo.
Voltei pra casa tomei um banho e pedi uma carona pro meu pai, coloquei uma camiseta do Mettallica preta, uma calça também preta e um tênis de cano alto, passei na casa do Marquinho e junto com Mauricio fomos pro show.
Estávamos eufóricos porém calmos até começar a descer a ponte e avistar a quadra da FEG com gente até pro lado de fora, pronto a euforia se transformou em desespero e a calma em dor de barriga; cheguei até a pedir pro meu pai dar meia volta e voltar pra casa, mas era tarde e como dizia Fredie Mercury ‘ The show must go on”.
Não haveria volta mesmo então descemos do carro e entramos na quadra, o publico parou para ver nossa chegada, nós todos de preto, cabelo comprido, eu e Maurício com nossas guitarras dentro de Cases emprestados do pai de Marquinho que apenas levava duas baquetas na mão, enquanto as outras bandas com as guitarras enroladas em capas de napa, era visivelmente amadores perto de nós.
Sortearam a ordem das apresentações e nossa banda só pra aumentar o suspense seria a ultima a se apresentar.
O estilo das bandas concorrentes variavam de influencias de Engenheiros do Hawaii e Iron Maiden basicamente, muitas bandas péssimas e muitas outras muito boas tocaram naquela noite, a platéia gritava e aplaudia, mas ainda curiosos para ouvir aquele trio cabeludo de preto.
Eis que chega a nossa vez; o locutor anuncia :
- Com vocês .....Lagrimas de sangue !!!!!!!, gritos ecoaram por toda quadra e subimos no palco, o nervosismo já tinha acabado, chegou a nossa hora !
Mauricio pega o microfone e grita com a voz gutural feito um Max Cavalera :
- BOA NOITE GALERAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!! A quadra foi a baixo parecia um show do Guns ‘n Roses, olho pra Marquinho que conta: - 1, 2, 3...e eu Blém entro com um Ré menor desafinado e Mauricio começa a cantar, a musica era uma mistura do que hoje chamaríamos de sertanejo universitário só que bem pior e mais punk, o púbico não entendia direito, o que aqueles três cabeludos de preto parecendo uma banda pauleira estavam tocando, mas mesmo assim não se ouviu vaias e nem repúdios.
No final ficamos em segundo lugar, pra quem não sabia nem tocar direito parecia um coisa impossível, mas aconteceu numa noite inesquecível de mil novecentos e noventa e dois.
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